Cuba, No Oeste

Praias virgens, tartarugas e María, a gorda
 
Cuba, No Oeste

Photography courtesy of Mimi Whitefield

A população da parte mais ocidental de Cuba é escassa, mas se podem encontrar alguns navegantes britânicos que viajam o mundo lentamente, ou talvez uma mamãe porca selvagem que leva seus leitões a um passeio pela manhã, bem na frente da porta de um hotel.

Existe apenas um caminho de terra até Cabo de San Antonio: uma estrada de duas pistas que corre ao longo da Península de Guanahacabibes, passando por quilômetros e quilômetros de praias desertas de areia branca, afloramentos de corais, mangues e matas de palmeiras altas e finas.

A maioria dos turistas em Cuba não vai além da arquitetura colonial de Havana, dos carros antigos, dos salões de charutos, da música vibrante e das praias do Leste da capital; mas um mundo de esplendor natural espera você... no Oeste.

Aventureiros de coração, um amigo e eu fizemos de Cabo de San Antonio, a 154 km da costa do México, o nosso objetivo. Para chegar lá é preciso mostrar seu passaporte em um posto de controle no início da península e dizer aos funcionários da imigração e da alfândega que tem uma reserva no Hotel Villa Cabo San Antonio, de 16 quartos. Esta coleção de cabanas é a única hospedagem nos arredores.

Depois de ter evitado um javali, um bezerro renegado e algumas iguanas que deslizavam pela estrada, chegamos exatamente na hora em que o sol ardente alaranjado afundava no oceano e o vizinho farol de Roncali se iluminava ao entardecer.

Não há mercados aqui, então o barman nos perguntou o que queríamos comer na noite seguinte. “Preciso descongelar”, ele disse.

A estrada termina 3 km mais adiante, na marina de Los Morros. Ali há um pequeno bar decorado com as flâmulas dos veleiros dos navegantes que desembarcaram nesse lugar remoto, perfeito para saudar com uma bebida o fato de ter atingido o extremo oeste de Cuba.

Na manhã seguinte, quando voltava do café da manhã e ia à praia virgem para nadar, encontrei porcos selvagens no lobby do hotel.

Estivemos no mesmo lugar em dezembro, e os mosquitos não nos trataram tão mal; nos meses de julho e agosto, porém, há que se trazer repelente de insetos.



TABACO E NATUREZA

Pegamos um caminho que serpenteava pela península desde Havana, deixando-nos com tempo suficiente para explorar. Nas províncias de Artemisa e Pinar del Río, destaca-se o cultivo de alguns dos melhores tabacos do mundo em Vuelta Abajo. Existem também cavernas e outras colinas de pedra calcária, chamadas magotes, no Valle de Viñales (declarado monumento nacional e Patrimônio Mundial da UNESCO), na Sierra del Rosario, em Las Terrazas (declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO), um centro internacional de mergulho em María La Gorda e o maior jardim de orquídeas de Cuba em Soroa.

Os operadores turísticos cubanos começaram a incluir destinos de ecoturismo e existem inclusive viagens de pesquisa à península para ver, em julho, a época da nidificação (construção de ninhos) das tartarugas cabeçudas e verdes (espécies de tartarugas marinhas em perigo de extinção e constantemente ameaçadas).

Para capturar o sabor do Oeste de Cuba, deve-se alugar um carro com ou sem motorista. Faça a reserva com bastante antecedência, porque é difícil alugar carros de um dia para o outro.

O percurso através de Pinar del Río passa pelas principais terras produtoras de tabaco, onde bois ainda trabalham os campos. Você pode seguir um mapa do governo por “La Ruta del Tabaco”, que inclui fazendas de tabaco abertas ao público e onde se podem comprar charutos.

Encontramos também fazendas de tabaco que não figuravam na lista, onde os trabalhadores ficavam felizes em explicar o processo de cultivo e de cura. Em uma parada, uma camponesa chegou a entrar em sua casa para nos preparar um café fresco.



MARÍA, A VENEZUELANA

Para visitar o segundo ponto mais ocidental de Cuba, pegue o desvio sul para María La Gorda, em vez de sair na extremidade da península de Guanahacabibes. Hoje é um centro internacional de mergulho, com um rico passado e muitas versões de como a comunidade ganhou seu nome: circulam versões de piratas e uma misteriosa mulher chamada Maria.

Gostamos da história contada por um bartender em Villa María La Gorda, o resort de frente para a praia e o centro de mergulho. No tempo dos piratas, Maria e o pai dela, que eram venezuelanos, naufragaram e chegaram à terra-firme num lugar onde funcionava um bordel. Com o tempo, Maria tornou-se uma senhora de renome e viveu seus dias na ponta de Cuba.

Enquanto três barcos de mergulho se movimentavam nas águas azul-turquesa, os visitantes bebiam mojitos no bar e estudavam seus manuais de certificação de mergulho. Há cursos de certificação de três dias e de instrução de mergulho mais avançada em espanhol, inglês e francês.

A viagem de um dia inteiro com direito a dois mergulhos, equipamentos, almoço e mergulho numa praia deserta custa cerca de US$ 90; um presente. Os recifes e as cavernas submarinas estão a poucos minutos da costa.

Também é possível alugar um hobie cat e relaxar numa praia com palmeiras, perfeita para descansar. O restaurante El Carajuelo tem o nome do peixe local favorito, mas também oferece lagosta e até pizza de camarão.

No fim de um longo dia na água, os visitantes se reúnem na praia com bebidas na mão para saudar o pôr do sol que é quase sempre espetacular.

Como deve ser no Oeste.

A American Airlines voa para La Habana, Varadero, Santa Clara, Cienfuegos, Camagüey e Holguín.

 

PÁSSAROS E ARTESÃOS NOS TERRAÇOS


Estou sentada em um banco perto de uma centena de alfarrobeiras que ultrapassam o telhado do Hotel Moka, esperando os primeiros tons de rosa da aurora e a chegada dos pássaros. Torno-me observadora de aves pela primeira vez, mas o guia Otis Campa me garante que veremos muitos em Las Terrazas. Logo estamos cercados por toutinegras, tordos de patas vermelhas, e por um pewee cubano. “Existem 374 espécies de aves endêmicas de Cuba", afirma Campa.

Aponta para um galho onde está pousado um tocororo tricolor, a ave nacional de Cuba. Suas penas vermelhas, azuis e brancas imitam as cores da bandeira cubana.

No total, localizamos 21 aves enquanto caminhávamos pelas colinas, e a névoa subia do vale. Há séculos os franceses plantaram café nas encostas da Sierra del Rosario e, quando abandonaram as plantações, o solo estava quase nu. Na década de 1970, a área foi reflorestada, e cerca de oito milhões de árvores — mogno, cedro, ébano, gumbo-limbo, teca — foram plantadas nas encostas de Las Terrazas, localizada 60 km a oeste de Havana. Se não quiser se levantar com os pássaros, visite a comunidade de artistas e artesãos de Las Terrazas, explore o lago ou visite o Café de Maria para levar consigo um saco de grãos de café recém-torrados.